domingo, 1 de maio de 2011

É o seginte: Ação Magazine


A essa altura, até as pedras da rua sabem sobre Ação Magazine, mas não poderia deixar de comentar sobre ela. Isso que dá ter um blog zumbi, que passa mais tempo morto que vivo.

Eu já sabia que o Alexandre Lancaster tinha esse objetivo, na época eu achava um sonho meio impossível, de criar um revista nos moldes japoneses. Quando a coisa tomou forma e foi divulgada, fiquei muito orgulhosa do meu amigo e muito esperançosa por todos que gostam e produzem mangás no Brasil. Fiquei imaginando a quantidade de meninos e meninas iniciantes em desenho que se imaginaram desenhando pra Ação Magazine, enviando portifólio e ralando pra melhorar o desenho. Se a revista acontecer, o que eu espero de coração, poderá ser o início de mudanças positivas no nosso mercado.


Vários blogs comentaram sobre a revista e como internet é uma terra de ninguém, onde xingar a mãe, dizer que gatinhos não são fofos, torcer pela Odete Roitman e comparar Beatles com Restart é permitido, não faltaram trolls criticando de um tudo na revista. Eu não posso falar nada sobre ela ainda, porque não li uma única página. Acredito que se a Ação Magazine fracassar será em virtude da qualidade das histórias e não por problemas burocráticos. O Lancaster pode ser tudo: um sujeito que vê mais graça num robô do que num bishounen (pode?), um mala que conhece uns mangás que são do tempo do onça e você nunca ouviu falar, mas eu acho que ele sabe o que está fazendo. Todo esse amadorismo que permeou a produção nacional de mangás (da qual eu fui uma das testemunhas e uma das prejudicadas) ele conhece de cor e acho difícil repetí-las.

O que realmente me incomodou foi a torcida contra de uns e outros. Se não gosta, não compre. Mas fazer a linha "tudo que não é japonês é merda" ficou na década passada, pessoal! Vamos evoluir um pouco e torcer pelo sucesso dos nossos artistas? O lado bom é que esse pessoal mais mesquinho não soma nem um time de vôlei, ou seja, não irá fazer diferença no resultado das vendas.

Já sabemos os nomes dos artistas e histórias, mas além do Lancaster só posso dizer que conheço mesmo é o trabalho da Roberta Pares. Foi uma ótima escolha, diga-se. Além de talentosa, ela parece ser muito profissional. Dentre as outras histórias, Jairo e Tunado realmente precisam me surpreender muito, porque não curto boxe e muito menos carros! Mas o bom dessas revi
stas é esse mesmo, né? Uma variedade que pode não agradar flamenguistas e vascaínos, mas algum botafoguense vai gostar! XD

Algumas pessoas criticaram a capa, por conta da fonte lembrar a da Shonen Jump. Olha, não vou dizer que alcançamos um nível gráfico perto dos japoneses, (que conseguem colocar tanta informação, com tantas cores e tudo casar tão bem na capa) mas eu aprovo esse caminho! Acho as capas dessas revista incríveis (as shoujo em especial) e não vejo o porquê de não ir nessa vibe!

Outra coisa interessante é que a maioria das histórias se passam no Brasil (acho que a dos gigantes obviamente não). Eu me esmero para desenhar mangás como os japoneses, no quesito técnica e narrativa, mas não no jeito de criar a história. Essa tem que ser pessoal, mesmo que a ação se passe num mundo mágico ou na Irlanda. Muitas pessoas fazem histórias com personagens japoneses, passando no Japão. Não sou eu que vou criticá-los, mas acho complicado criar em cima de algo que não lhe é familiar. Por mais mangás e animês que você leia, por mais livros sobre a história nipônica você devore, dizer que conhece o Japão é complicado. Experimente assistir um filme nacional (ok, nem todos valem a pena) e se pergunte se aquilo não lhe fala mais profundamente do que um filme de Hollywood? Quando vi Volver, do Almodovar, senti uma identificação imediata com todos os personagens. Eles são espanhóis, mas são mais familiares a nós que os americanos ou ingleses, por exemplo. Essa identificação, essa conexão sensorial não tem preço. Mas todos estão livres pra escrever sobre o que quiserem, o mais importante de tudo é a história ser legal.

Agora, é uma revista de macho hein? Não tem uma história ali que parece que agradará uma certa parte da população, que atende por mulheres. Aquelas que não são fãs de Naruto ou Slam Dunk, serão excluídas, não tem jeito. Mas certas histórias atraem as mulheres, mesmo sendo shounen. Talvez a da Roberta Pares cumpra esse papel, com forte ajuda do seu desenho gracioso. Eu não sei como isso funciona, sou suspeita, meu tipo de revista é a Ribon, mas sei que muitas garotas compram Shounen Jump e curtem mangás e animês shounen. O que as atrai ali eu não sei direito, mas será que a Ação Magazine terá esse elemento? Eu via Cavaleiros por causa do Shiryu e até que algumas batalhas eram bacanas, como aquela contra o Máscara da Morte, mas fora isso, não curtia tanto. Prefiro Dragon Ball a Dragon Ball Z, pois era muito mais comédia, assim como Ranma 1/2 e Lupin III, que além de ter comédia, tinha tramas bem boladas. Mas essa sou eu. Será que tem gente que pensa assim também?

Torço muito pelo êxito da revista! Não só espero que ela tenha ótimas vendas e fique muito tempo no mercado, como espero que ela inspire outras publicações. Aqui eu estou falando de uma versão shoujo! ^__^ Já tinha até uns nomes na cabeça pra integrar a revista, além de mim é claro! XD Seria muito legal mesmo, quem sabe né?
Quando sair, com certeza vou comprar. Aí eu faço uma resenha de cada história, se o blog ainda existir...

Site da Ação Magazine : http://www.acaomagazine.com/